Projeto europeu SchoolFan cria modelo pioneiro para combater desinformação climática nas escolas

A iniciativa europeia envolveu mais de 350 estudantes e 93 professores de Portugal, Espanha, França e Grécia no desenvolvimento de estratégias de literacia mediática e verificação de informação sobre alterações climáticas

Combater a desinformação nas salas de aula sobre as alterações climáticas. Este é o objetivo do projeto internacional SchoolFan (Escolas contra as notícias falsas por um futuro mais responsável), uma iniciativa que entra agora na sua fase decisiva, após dois anos de trabalho coordenado entre Portugal, Espanha, França e Grécia.

Trata-se de um projeto desenvolvido no âmbito do Erasmus+, concretamente na linha de projetos de cooperação educativa (KA2). O consórcio encontra-se já a finalizar os resultados finais, que serão apresentados no dia 18 de junho, culminando um processo que deu origem a um modelo pioneiro de ciência cidadã destinado a proteger adolescentes e jovens europeus da desinformação sobre as alterações climáticas.

Equipa multidisciplinar de alto nível

Desde o seu lançamento, o projeto, coordenado por uma equipa composta por 30 docentes e investigadores de instituições de quatro países europeus (Portugal – Universidade de Aveiro e Universidade Nova de Lisboa –, Espanha – Universidade Rey Juan Carlos e Universidade Complutense de Madrid –, França – Cercle FSER – e Grécia – Universidade Nacional e Kapodistríaca de Atenas), trabalhou para integrar a ciência cidadã no sistema educativo para combater a desinformação sobre as alterações climáticas.

Esta equipa reúne especialistas em ensino das ciências experimentais e pedagogia, bem como especialistas em jornalismo e comunicação corporativa, garantindo uma abordagem rigorosa e transversal à desinformação.

Dois anos de marcos e compromisso educativo

Desde a reunião de lançamento, em abril de 2024, a equipa do SchoolFan trabalhou nas seguintes áreas-chave:

  • Análise e diagnóstico: Foi concluído o mapeamento dos currículos escolares para identificar os melhores pontos de partida para a literacia mediática e a educação climática. Após etapas como a análise dos planos nacionais (maio de 2024) e os grupos de discussão com especialistas (junho de 2024), foram desenvolvidos recursos pedagógicos inovadores que já estão a fazer a diferença nas salas de aula.
  • Formação especializada: Mais de 90 docentes de Portugal, Espanha, França e Grécia concluíram a sua formação em janeiro de 2026, adquirindo estratégias para identificar e desmontar notícias falsas em contexto escolar. Para isso, foram desenvolvidos materiais educativos centrados nas alterações climáticas, verificação de informação, ciência cidadã e empoderamento para a ação.
  • Desenvolvimento de ferramentas: Foram criados recursos digitais que permitem aos alunos e docentes participar como cidadãos responsáveis na abordagem de questões sociais complexas.

Um projeto para implementar e viver nas salas de aula: a verificação pelos alunos

Entre janeiro e março de 2026, o SchoolFan foi implementado como projeto de ciência cidadã em 32 turmas do ensino secundário dos quatro países envolvidos, com a participação de 350 estudantes.

Os alunos atuaram ainda como verificadores de factos, analisando conteúdos climáticos no TikTok, YouTube e Instagram com base em diretrizes internacionais de verificação.

Muitos estudantes impulsionaram iniciativas próprias nas suas escolas, organizando atividades de sensibilização e ajudando os colegas a identificar informação enganosa, multiplicando assim o impacto do projeto.

Um modelo escalável para os restantes países da Europa

O trabalho realizado permitirá que, até ao final de junho, a comunidade educativa europeia disponha de um modelo replicável que facilite a adoção das práticas mais adequadas em literacia mediática e educação climática.

Os participantes do Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro manifestaram a sua satisfação com o projeto e com o seu futuro.

“Implementar este projeto em Portugal enquanto o país enfrentava eventos climáticos extremos, embora doloroso, foi também muito motivador e inspirador. Ver os professores — alguns em zonas gravemente afetadas por inundações e tempestades — desenvolverem o projeto com os seus estudantes nesse contexto, reforçou a minha visão da sua força, resiliência, compromisso e importância, restaurando a minha esperança num futuro melhor”, comenta Xana Sá Pinto.

“O sucesso do projeto reside no facto de não ter terminado com a formação. Foi incrível ver os professores transformarem os materiais em projetos reais com os seus estudantes e, mais ainda, perceber que estas práticas vieram para ficar, com muitos docentes já a planear autonomamente os próximos passos”, afirma José Luís Araújo.

Por sua vez, Patrícia Pessoa afirma que “o sucesso deve-se em parte à forma como os professores conseguiram motivar os alunos e ao facto de o tema ser muito atual e fazer parte do seu quotidiano.”

Margarida M. Marques acrescenta que “a troca de experiências com os professores durante a formação foi enriquecedora para mim. Eles aplicam a sua experiência em sala de aula de formas que nós, enquanto investigadores, dificilmente conseguiríamos conceber. O resultado? Percursos e recursos educativos poderosos que integram a literacia climática e mediática.”

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